Hoje cedo eu chorei.
Foram poucas lágrimas, mas senti cada uma ferver antes de cair dos meus olhos.
Uma mistura de muitas coisas. No melhor estilo tudo-ao-mesmo-tempo-agora.
Menina no meio do seu período mais feminino do mês, tendo passado por uma tpm ímpar. Diferente de todos os ciclos, este teve desequilíbrio hormonal desmedido.
Foram momentos de irritação de vários níveis, sensibilidade a flor da pele, regiões circulares do corpo infladas como bexigas e por fim a cólica.
Isso acho ter sido resultado de uma semana agitada emocionalmente. A coisa do parco dinheiro acumulado, do medo de não ter a segurança para abandonar qualquer coisa que me encha o saco nessa vida de todo dia.
Tem também a idéia do outro ciclo. Um que eu acredito terminar e reiniciar nas nossas vidas a cada 7 anos. Estando a pessoa que vos fala na sua 28ª primavera...coisa de pensar.
Um milhão de conflitos na minha cabeça. E só pode ser esse raio de ciclo se, e me, transformando.
Penso cada dia mais que a vida que eu levo todo santo dia é um tanto diferente daquela que combina mais comigo. Daquela que eu imaginei em que não era triste sair da cama para encarar a lida. Lida que tivesse mais a minha cara. Coisa que me desse mais prazer. Que me proporcionasse os horários mais adequados ao funcionamento do meu relógio biológico. Que me deixasse morar numa cidadezinha mais tranqüila, com som de vento, com tudo mais perto, com o tempo que rende muito mais que esse nosso.
Até sonhei no fds. Uma casa linda com umas 12 camas para abrigar todos os que eu mais amo por quanto tempo fosse desejado. Quarto com capacidade para 4 ou 5 pessoas. Pessoas não...meninas. Nós. Vocês. Meninas com suas fofocas, com suas ironias sobre as mais difíceis questões da alma, meninas com amor e brigadeiro.
Também tinha um cachorro grande com pêlo de labrador. E devia mesmo ser um.
Dava pra ver o bairro sossegado, pouco movimentado e com casa de amigos queridos espalhadas nas esquinas mais próximas.
Hoje de manhã eu chorei.
Foram poucas lágrimas, mas senti cada uma ferver antes de cair dos meus olhos.
Uma mistura de muitas coisas. Entre elas a louca infantilidade de negar o término do final de semana. A discreta manifestação de que não queria também sair de perto daquele que me adora. Adora no real significado da palavra, no sentido da raiz adoração.
Mais um conflito para pensar no trânsito enquanto o rádio se prontifica a me informar que o horário de verão que eu tanto curto terminou, e assim me levando a conclusão de que toda essa agonia matinal poderia ter sido minimizada com a grata notícia de mais uma hora disponível para ficar ali. Na cama, no edredom, no abraço, na adoração.
Vejam que descuido da razão... Deixar que lágrimas rolem admitindo que parte desse expurgo está amarrado ao moço, ou à “fotografia” que o moço está neste momento.
O querer viver a vida que não é minha. Arte, não ter que acordar cedo, casa e não apartamento, a melhor amiga em vez de uma família que tanto amamos como queremos distância de vez em quando.
Mais que isso tudo (e que a coragem não me falte para continuar esta escrita), o querer viver aquela companhia, aquela cumplicidade, o jogo de assuntos e piadas das mais infantis e deliciosas, as aulas de violão, os momento só cantando em Trio-se, as receitas na cozinha, a total disponibilidade, enfim a entrega que eu queria tanto e agora a tendo não sei bem como lidar.
Foi!
Finalmente essas palavras saíram da clausura dentro da minha mente e vieram, num ato de desabafo, parar nessa tela que logo quem quiser terá acesso.
Ainda não tomei o passo em direção ao retorno a terapia, mesmo sabendo que tantos conflitos, quando juntos, se tornam razão digna de busca por ajuda.
Preciso de liberdade. Liberdade para tomar minhas próprias decisões. Para buscar o meu mundo ideal. Para criar o meu melhor ambiente. Para deixar de dizer que não devo nada a ninguém e me apropriar efetivamente deste direito. Cortar o cordão umbilical que escoa tanto julgamento e pressão sobre a minha cabeça para loucamente viver feliz e leve como uma borboleta que não mais derramará lágrimas de manhã.
Vi pela janela dois passarinhos na árvore do quintal. Foi ontem e pensei como eram felizes por nem saber se era domingo ou segunda. Por ignorar essa métrica dura para viver com a mesma alegria qualquer um dos dias naquela árvore.
Em mim batia a agonia de saber que ao ver o mesmo casal cheio de penas na árvore em frente, um dia depois, seria o meu momento de fechar a porta do que adoro fazer para embarcar na viagem rumo ao mundinho corporativo que nos consome por mais 5 dias seguidos.
Hoje cedo eu chorei.
As poucas lágrimas que senti ferver antes de caírem dos meus olhos me serviram de alerta. Uma mistura de muitas coisas. Entre elas a consciência de que é preciso buscar.
É preciso sair da zona de conforto e se movimentar em direção ao sonho.
Serão dois passos: Libertar esta alma gigante e cheia de miragens para em seguida deixar para trás toda essa inércia que me cansa.
Ufa, que segunda-feira....