Quase 5 meses de total liberdade. Posso fazer o que quiser, com quem quiser, nada de satisfação, de esperar o telefone tocar ou esperar qualquer coisa de alguém que não seja eu mesma. O que tenho feito? Não sei… as vezes acho que é diversão, as vezes acho que estava presa em um calabouço e agora, com sede de aproveitar o que teoricamente perdi, tenho atropelado tudo. Atropelado principalmente meus sentimentos.
Pareço louca, talvez queira passar essa imagem, sem querer, sem noção. Ao mesmo tempo continuo me preocupando com os outros. O que eles vão pensar? Na real acho que nasci pra ser careta. Não careta para julgar, avaliar certo ou errado, não tenho esse discernimento todo. Careta pra levar um vida mais ou menos certinha. Ter alguém, ficar junto, morar junto, dividir contas e planos. Ai, ai, ai, ok… tô carente.
Loucura, bebedeira, quem tá em casa comigo? O que esse cara tá fazendo aqui? O que eu tô fazendo? Queria tirar férias de mim mesma… passar um mês em uma praia qualquer, dormindo cedo, acordando tarde, tomando sol e água, muita água pra ver se consigo clarear sentimentos e ordenar pensamentos. Mas o que é tudo isso? O que é certo? O que há de errado?
Gêmeos, dúvidas, inferno astral batendo na porta. Não quero abrir, mas ele vai entrar de qualquer jeito. Daqui a pouco 31. Não quero continuar na mesmice, mas fazer o quê? Mudar de país, de cidade? Quero um manual de instruções escrito no português mais fluente para não restar dúvidas.
Quero uma bola de cristal, quero ter uma conversa muito séria com quem manda nisso tudo. Escuta aqui, dá pra definir as coisas? Quero um briefing completo dizendo tudo o que eu preciso fazer, alguém pode me atender?
Quanta interrogação, vou pirar. Um mauricinho, um compositor apaixonado, um viajante carinhoso, um careta meio doido, um ideal para os padrões atuais de príncipe encantado, um vocalista completamente louco. Todos sapos…. Mal sapão... quero alguém abastecido de Óleo Disney, que tome vitamina de abacate com creme rinse…
Outro dia li uma frase do Fernando Pessoa:
“Meu coração é um albergue aberto toda a noite.”
Na hora ri, copiei e quis escrever na parede. Agora, não sei se é bem assim, por isso o albergue tá fechado. Pelo menos até a próxima noite.
terça-feira, 29 de abril de 2008
domingo, 27 de abril de 2008
O primeiro passo
Sinto cada minuto mais próximo.
O dia D.
A hora H.
O momento x.
Instante de admitir formalmente o que já não se pode negar na prática.
Ocasião quase que solene para o lado de dentro de quem vos escreve.
Vejo bases muito mais sólidas do que todas as outras por mim já construídas. Por causa do tempo. Por causa da calma. Por causa da cautela. Por causa da racionalidade e frieza anteriores a este exato momento em que o peito fala somente com o calor da emoção.
O desejo irrefreável de mergulhar de cabeça desabitou o meu ser no último mergulho sem piscina, sem mar e nem mesmo colchão.
Avesso ao que a natureza me imprime, porém prudente o bastante para se exercitar sem resistência. Sempre mais inteligente pensar. Sempre mais tentador sentir.
Sinto uma nova fase, um novo ciclo.
E também novo é o desafio psicopata lançado espontaneamente...manter o equilíbrio.
Ao abandonar o radicalismo do freio é preciso passar bem longe do radicalismo do acelerador.
Importante manter em foco os aprendizados e não cair em armadilhas de gente que não nos ama tanto quanto nós próprios. Perceber o vício entre pessoas, o apego descalibrado e a sombra da insegurança para monitorá-los com minúcia.
Reconhecer e processar devidamente o egoísmo salutar que preserva a integridade de cada indivíduo. Não invadir e não se permitir ou desejar ser invadida.
Pelo menos até que o contrário se confirme. Até o próximo dia d, hora h e momento x em que pode-se simplesmente ter optado por viver loucamente e sem censura todo e qualquer sentimento que transforma dois em um.
Delicioso viver dois em um. Mas o histórico é que sempre acaba dando merda. E depois disso, o retomar do indivíduo em plenitude, sem o par complementar, é extremamente doloroso e cansativo.
Por isso vivamos um capítulo por vez e aguardemos o que o futuro tem reservado...
...ultimamente meus pensamentos têm me causado algumas surpresas.
Como se uma maré virando tornasse aquele rumo d’água tão previsível e constante, num novo curso que sacode o fundo de maneira inversa.
Tudo aquilo listado na ficha de supérfluos começa a aparecer justo na capa dos catálogos psicóticos durante os pensamentos mais aleatórios.
Lembro mais de vc, me preocupo mais com você, palpito mais sobre vc, gosto mais de vc e já não sei onde encaixar o desapego que eu combinei comigo mesma há tanto tempo.
Se a nova é boa ou não...difícil definir com segurança. Aliás essa é a palavra, segurança.
Deixar os mapas e cálculos de lado bem no meio da viagem, não parece uma decisão segura de se tomar. Abrir mão do controle de todas as variáveis parece tão imprudente que beira o proibitivo. Mas quem aqui é proibido de amar?
Apesar de saber a resposta, não me solto com convicção.
Sei que o bloco sólido, firme que eu conhecia se dissolveu, não vi como, deixando aparecer um monte de imagens que ao mesmo tempo atraem e repelem.
Apegar-se as imagens detrás do bloco parece não menos imprudente e quase irresponsável na tarefa de zelar por mim mesma e por mais um que agora me aparece com este novo significado.
“...e já que a vida nos deu esse tropeço...” E que tropeço, meu amigo. Quando achei que tinha acabado, que tudo estava sob controle, me pego no meio desse novo impulso que me pende para frente.
Depois de tudo que processei como lição passada e de todo carinho que hoje reconheço, acabo por manter ambos os pés no freio como que por cuidar de nós dois. Como se fosse de minha responsabilidade zelar não apenas pela minha integridade, mas pela do outro. Um desejo prepotente de comandar a carroça alheia.
Eis o cara da emoção. O que vive sem grilos. Que se entrega. Que não sente medo da vida. Admirável demais. Paradoxal demais para mim. Me admiro e me assusto olhando a mesma fotografia.
O fato é que hoje já não sei se quero continuar a decidir tudo sozinha.
Basta apenas encontrar o limite de até onde é devido dividir para iniciar uma nova fase de troca.
Bem, o primeiro passo já foi dado.
O dia D.
A hora H.
O momento x.
Instante de admitir formalmente o que já não se pode negar na prática.
Ocasião quase que solene para o lado de dentro de quem vos escreve.
Vejo bases muito mais sólidas do que todas as outras por mim já construídas. Por causa do tempo. Por causa da calma. Por causa da cautela. Por causa da racionalidade e frieza anteriores a este exato momento em que o peito fala somente com o calor da emoção.
O desejo irrefreável de mergulhar de cabeça desabitou o meu ser no último mergulho sem piscina, sem mar e nem mesmo colchão.
Avesso ao que a natureza me imprime, porém prudente o bastante para se exercitar sem resistência. Sempre mais inteligente pensar. Sempre mais tentador sentir.
Sinto uma nova fase, um novo ciclo.
E também novo é o desafio psicopata lançado espontaneamente...manter o equilíbrio.
Ao abandonar o radicalismo do freio é preciso passar bem longe do radicalismo do acelerador.
Importante manter em foco os aprendizados e não cair em armadilhas de gente que não nos ama tanto quanto nós próprios. Perceber o vício entre pessoas, o apego descalibrado e a sombra da insegurança para monitorá-los com minúcia.
Reconhecer e processar devidamente o egoísmo salutar que preserva a integridade de cada indivíduo. Não invadir e não se permitir ou desejar ser invadida.
Pelo menos até que o contrário se confirme. Até o próximo dia d, hora h e momento x em que pode-se simplesmente ter optado por viver loucamente e sem censura todo e qualquer sentimento que transforma dois em um.
Delicioso viver dois em um. Mas o histórico é que sempre acaba dando merda. E depois disso, o retomar do indivíduo em plenitude, sem o par complementar, é extremamente doloroso e cansativo.
Por isso vivamos um capítulo por vez e aguardemos o que o futuro tem reservado...
...ultimamente meus pensamentos têm me causado algumas surpresas.
Como se uma maré virando tornasse aquele rumo d’água tão previsível e constante, num novo curso que sacode o fundo de maneira inversa.
Tudo aquilo listado na ficha de supérfluos começa a aparecer justo na capa dos catálogos psicóticos durante os pensamentos mais aleatórios.
Lembro mais de vc, me preocupo mais com você, palpito mais sobre vc, gosto mais de vc e já não sei onde encaixar o desapego que eu combinei comigo mesma há tanto tempo.
Se a nova é boa ou não...difícil definir com segurança. Aliás essa é a palavra, segurança.
Deixar os mapas e cálculos de lado bem no meio da viagem, não parece uma decisão segura de se tomar. Abrir mão do controle de todas as variáveis parece tão imprudente que beira o proibitivo. Mas quem aqui é proibido de amar?
Apesar de saber a resposta, não me solto com convicção.
Sei que o bloco sólido, firme que eu conhecia se dissolveu, não vi como, deixando aparecer um monte de imagens que ao mesmo tempo atraem e repelem.
Apegar-se as imagens detrás do bloco parece não menos imprudente e quase irresponsável na tarefa de zelar por mim mesma e por mais um que agora me aparece com este novo significado.
“...e já que a vida nos deu esse tropeço...” E que tropeço, meu amigo. Quando achei que tinha acabado, que tudo estava sob controle, me pego no meio desse novo impulso que me pende para frente.
Depois de tudo que processei como lição passada e de todo carinho que hoje reconheço, acabo por manter ambos os pés no freio como que por cuidar de nós dois. Como se fosse de minha responsabilidade zelar não apenas pela minha integridade, mas pela do outro. Um desejo prepotente de comandar a carroça alheia.
Eis o cara da emoção. O que vive sem grilos. Que se entrega. Que não sente medo da vida. Admirável demais. Paradoxal demais para mim. Me admiro e me assusto olhando a mesma fotografia.
O fato é que hoje já não sei se quero continuar a decidir tudo sozinha.
Basta apenas encontrar o limite de até onde é devido dividir para iniciar uma nova fase de troca.
Bem, o primeiro passo já foi dado.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Passará

O tempo passa e as imagens começam a ficar enevoadas.
Não que as fotos envelhecem e perdem as pessoas que existiam ali, há anos, mas a gente envelhece, as lembranças são guardadas em caixas em cima do guarda-roupas e a memória fica nublada.
Passou tanto tempo, a gente mudou tanto, tanta coisa aconteceu, somos tão diferentes uns dos outros e ainda nos esforçamos pra lembrar das histórias e contar detalhes com uma certa intimidade que já não existe mais. A gente nem lembra que intimidade era essa, mas sentimos a necessidade de resgatar cada momento, e dizer que éramos felizes e não sabíamos, que a vida mudou e que engordamos depois de tanto tempo...
Tudo isso pra resgatar o passado e provarmos pra todos que tivemos um, que ele foi feliz, que foi vivido. Tudo isso porque o presente não conseguimos vivemos mais.
E nosso cotidiano enche os dias e as noites com a névoa da incerteza e da saudade, por não podermos ser crianças outra vez.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
FECHARAM MEU CORPO COM O DEMÔNIO DENTRO
Que impaciência é essa que vem comigo, porque essa necessidade de mudar, a eterna dúvida, insatisfação. Queria fazer alguma coisa que fizesse diferença, queria estar na janela de um trem com a cabeça pra fora e o cabelo voando.
Conhecer Paris, Portugal, Amsterdam, China, Marrocos, o mundo todo e nem meu umbigo eu sei onde fica.
Um dia bem humorada, atualmente a maior parte dos dias e minha melhor descoberta foi entender que ficar comigo é bom. É divertido. O problema é o demônio…. Talvez seja ele que me leve a ter idéias meio malucas e correr atrás.
Talvez ele seja bom, não sei. A poucos dias descobri que fechei meu corpo com ele dentro.
Católica por criação, Budista por idealização, Espírita por convicção.
Acredito em tudo um pouco. Rezo, tomo passe, tenho anjo da guarda, vou na tarologa e ainda tem as amigas amoras que dão os melhores conselhos, sigo todos…. Desisti da terapia porque elas falam o mesmo, dão os mesmos conselhos e não cobram nada. E eu ainda posso fumar e tomar uma cerveja enquanto desabafo…. Não tem terapia melhor.
E o demônio? Pois é, ele tá aqui… soprando coisas na minha cabeça. Vontade de dar uma bica em tudo. Fazer uma mochila e sair andando, vontade de comprar um tennis e sair correndo no melhor estilo Forrest Gump.
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Onde coloco meus pensamentos? Acho ridículo esperar o fim de semana e faço isso toda semana. Não é justo, 5 dias em troca de 2?
Quem fez essa conta? Porque complicar tanto as coisas?
Não vou porque não conheço ninguém. Não como porque engorda. Ah, não é muito longe. Tô com uma preguiça…. O cara é que tem que ligar. Se eu ligo o cara acha que sou grude e pronto toma chá de sumiço. Quando a gente vai deixar esse monte de besteira de lado e viver?
Porque se cobrar tanto? Esse meu demônio me faz ser mais solta, as vezes me enlouquece com pequenos surtos de sair correndo. Se eu fosse um pouco mais corajosa já tinha metido 3 calças, um tennis e meia dúzia de camisetas na mochila e fui.
Mas não, sou cuzona e o que resta é o desabafo. É tentar fazer tudo certinho pra ganhar a dose de coragem que falta pra correr o mundo e buscar o que eu nem imagino que tô procurando.
Conhecer Paris, Portugal, Amsterdam, China, Marrocos, o mundo todo e nem meu umbigo eu sei onde fica.
Um dia bem humorada, atualmente a maior parte dos dias e minha melhor descoberta foi entender que ficar comigo é bom. É divertido. O problema é o demônio…. Talvez seja ele que me leve a ter idéias meio malucas e correr atrás.
Talvez ele seja bom, não sei. A poucos dias descobri que fechei meu corpo com ele dentro.
Católica por criação, Budista por idealização, Espírita por convicção.
Acredito em tudo um pouco. Rezo, tomo passe, tenho anjo da guarda, vou na tarologa e ainda tem as amigas amoras que dão os melhores conselhos, sigo todos…. Desisti da terapia porque elas falam o mesmo, dão os mesmos conselhos e não cobram nada. E eu ainda posso fumar e tomar uma cerveja enquanto desabafo…. Não tem terapia melhor.
E o demônio? Pois é, ele tá aqui… soprando coisas na minha cabeça. Vontade de dar uma bica em tudo. Fazer uma mochila e sair andando, vontade de comprar um tennis e sair correndo no melhor estilo Forrest Gump.
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Onde coloco meus pensamentos? Acho ridículo esperar o fim de semana e faço isso toda semana. Não é justo, 5 dias em troca de 2?
Quem fez essa conta? Porque complicar tanto as coisas?
Não vou porque não conheço ninguém. Não como porque engorda. Ah, não é muito longe. Tô com uma preguiça…. O cara é que tem que ligar. Se eu ligo o cara acha que sou grude e pronto toma chá de sumiço. Quando a gente vai deixar esse monte de besteira de lado e viver?
Porque se cobrar tanto? Esse meu demônio me faz ser mais solta, as vezes me enlouquece com pequenos surtos de sair correndo. Se eu fosse um pouco mais corajosa já tinha metido 3 calças, um tennis e meia dúzia de camisetas na mochila e fui.
Mas não, sou cuzona e o que resta é o desabafo. É tentar fazer tudo certinho pra ganhar a dose de coragem que falta pra correr o mundo e buscar o que eu nem imagino que tô procurando.
Assinar:
Postagens (Atom)