domingo, 27 de abril de 2008

O primeiro passo

Sinto cada minuto mais próximo.
O dia D.
A hora H.
O momento x.
Instante de admitir formalmente o que já não se pode negar na prática.
Ocasião quase que solene para o lado de dentro de quem vos escreve.

Vejo bases muito mais sólidas do que todas as outras por mim já construídas. Por causa do tempo. Por causa da calma. Por causa da cautela. Por causa da racionalidade e frieza anteriores a este exato momento em que o peito fala somente com o calor da emoção.

O desejo irrefreável de mergulhar de cabeça desabitou o meu ser no último mergulho sem piscina, sem mar e nem mesmo colchão.
Avesso ao que a natureza me imprime, porém prudente o bastante para se exercitar sem resistência. Sempre mais inteligente pensar. Sempre mais tentador sentir.

Sinto uma nova fase, um novo ciclo.
E também novo é o desafio psicopata lançado espontaneamente...manter o equilíbrio.
Ao abandonar o radicalismo do freio é preciso passar bem longe do radicalismo do acelerador.

Importante manter em foco os aprendizados e não cair em armadilhas de gente que não nos ama tanto quanto nós próprios. Perceber o vício entre pessoas, o apego descalibrado e a sombra da insegurança para monitorá-los com minúcia.

Reconhecer e processar devidamente o egoísmo salutar que preserva a integridade de cada indivíduo. Não invadir e não se permitir ou desejar ser invadida.
Pelo menos até que o contrário se confirme. Até o próximo dia d, hora h e momento x em que pode-se simplesmente ter optado por viver loucamente e sem censura todo e qualquer sentimento que transforma dois em um.

Delicioso viver dois em um. Mas o histórico é que sempre acaba dando merda. E depois disso, o retomar do indivíduo em plenitude, sem o par complementar, é extremamente doloroso e cansativo.

Por isso vivamos um capítulo por vez e aguardemos o que o futuro tem reservado...



...ultimamente meus pensamentos têm me causado algumas surpresas.
Como se uma maré virando tornasse aquele rumo d’água tão previsível e constante, num novo curso que sacode o fundo de maneira inversa.

Tudo aquilo listado na ficha de supérfluos começa a aparecer justo na capa dos catálogos psicóticos durante os pensamentos mais aleatórios.

Lembro mais de vc, me preocupo mais com você, palpito mais sobre vc, gosto mais de vc e já não sei onde encaixar o desapego que eu combinei comigo mesma há tanto tempo.
Se a nova é boa ou não...difícil definir com segurança. Aliás essa é a palavra, segurança.
Deixar os mapas e cálculos de lado bem no meio da viagem, não parece uma decisão segura de se tomar. Abrir mão do controle de todas as variáveis parece tão imprudente que beira o proibitivo. Mas quem aqui é proibido de amar?
Apesar de saber a resposta, não me solto com convicção.

Sei que o bloco sólido, firme que eu conhecia se dissolveu, não vi como, deixando aparecer um monte de imagens que ao mesmo tempo atraem e repelem.
Apegar-se as imagens detrás do bloco parece não menos imprudente e quase irresponsável na tarefa de zelar por mim mesma e por mais um que agora me aparece com este novo significado.

“...e já que a vida nos deu esse tropeço...” E que tropeço, meu amigo. Quando achei que tinha acabado, que tudo estava sob controle, me pego no meio desse novo impulso que me pende para frente.

Depois de tudo que processei como lição passada e de todo carinho que hoje reconheço, acabo por manter ambos os pés no freio como que por cuidar de nós dois. Como se fosse de minha responsabilidade zelar não apenas pela minha integridade, mas pela do outro. Um desejo prepotente de comandar a carroça alheia.

Eis o cara da emoção. O que vive sem grilos. Que se entrega. Que não sente medo da vida. Admirável demais. Paradoxal demais para mim. Me admiro e me assusto olhando a mesma fotografia.

O fato é que hoje já não sei se quero continuar a decidir tudo sozinha.
Basta apenas encontrar o limite de até onde é devido dividir para iniciar uma nova fase de troca.
Bem, o primeiro passo já foi dado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Se joga!!!