
Se você mora em Sampa sabe que o trânsito é o inferno criado para que o ser humano descubra o poder da paciência, se não, pelo menos ganhe uma dor na perna absurda de tanto ficar trocando a marcha de primeira para segunda, e desta para o ponto morto.
O atraso, mãe de todas as horas diz que você só será aceita na sociedade se chegar no horário, por isso a culpa te arrasa pois você nunca, jamais, em tempo algum consegue chegar na hora marcada morando em São Paulo. Sempre acontece alguma coisa no e com o trânsito que a faz perder, no mínimo, uma hora em um trajeto que deveria durar, no máximo, 20 minutos. E você não mais acredita que haja um resquício de bom humor nesta personalidade meiga quando chega ao destino.
Você tenta, em vão, ligar para as pessoas que poderão te salvar e quando, depois de muito tempo, enfim, você consegue, a voz do outro lado da linha, nada amigável, te diz que a reunião acabou e acha melhor você dar meia volta e ir para a casa.
Não, não, não, você ainda tem um almoço que, aliás, não foi confirmado até agora, mas ainda não está perdido. E quando você decide pegar os recados no celular, descobre que um sms perdido foi enviado para cancelar o compromisso com a comida, mas não, sem antes, um pedido de desculpas.
Que bom, então você decide ir para o shopping, um paraíso para a impulsividade financeira feminina. Mas quando desce do carro, depois de horas procurando incansavelmente uma vaga, afinal ainda estamos no horário do almoço, e as pessoas insistem em almoçar no shopping, você descobre que seu sapatinho (novo) lhe fez bolhas nos pés: será que foi de tanto dirigir em primeira, segunda e ponto morto?
O melhor é passar na farmácia, já que terá que pagar o estacionamento do shopping (demorou mais de 20 minutos a procura pela vaga) e comprar um band-aid.






