segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

E eu comprei um carro!

Seguindo o movimento de registro das nossas vidinhas, incluindo as evoluções filosóficas, amadurecimentos afetivos e acontecimentos marcantes que nossas mães teriam orgulho de conhecer....cá estou para tecer mais um rendado de fatos.

A vida não é bolinho para ninguém, o meu dinheiro não dá em árvore, papai é rico mas eu não, e ainda assim: eu comprei um carro.

Se eu to feliz?
Sei lá, viu? Rapei todo dinheiro da minha vida para quitar tudo à vista.
Por conta disso, assinei o contrato de compra e meia hora depois estava aos prantos sem saber bem por quê.

Para mim, pior que andar a pé é ter parcelas para pagar.
Parcela significa que o dinheiro que eu suei para ganhar naquele mês não é exatamente meu. Um dinheiro que não vem com o meu nome, mesmo sendo fruto da minha entrega maluca.

Na verdade o caos dessa cidade me obrigou a trocar de carro. E aproveito para dizer: Não comprem um Gol. Never! A não ser que pretenda ir morar no interior...
Vende rápido, todo mundo quer, inteiro ou em pedaços e é aí que mora o pepino.
Ter um Gol é carregar um pepino para cima e para baixo.

Rapando a poupança, abri mão de uma zona de conforto que só mesmo o dinheiro é capaz de proporcionar. Agora não posso mais mandar o chefe à merda, não posso querer passar 3 meses viajando pelo Nordeste, não posso dar entrada numa casinha no interior mais próximo ou longínquo.

Isso me tirou a fimeza de baixo dos pés e agora me sinto refém do carro novo.
Ainda não chegou e por isso eu não senti ainda a leveza da direção hidáulica, o ventinho fresco do ar-condicionado sacudindo o cabelo, o batidão grave do som novinho e o conforto/ segurança de andar com os vidros fechados.
Assim, tenho só o residual negativo neste momento. É por isso que eu choro.

Hoje de manhã senti vontade de chorar de novo, mas dessa vez foi a idéia de achar a minha vida muito chata que me purgou as lágrimas. Uma sucessão de acontecimentos. Foi sair da caminha gostosa, com direito a cobertor de orelha, ver o café da manhã preparado e não poder curti-lo por falta de tempo, me lançar ao trânsito da volta às aulas, alguns dias para o período menstrual e pronto! Buá...quero chorar.

E agora? E se eu quiser ir embora daqui?
Não posso! Não agora. Tenho uma dívida enorme com a minha poupança que não pode viver oca. Então, silêncio, ombros para trás e vamos à luta.

Tenho hoje aquela sensação de que a vida dá com uma mão e tira com a outra.
Tenho um carro lindinho, completo e não tenho um puto no banco.
Pobre e de carro novo....dá para entender?

Voltando ao cobertor de orelha antes citado, devo aqui prestar minha sincera e pública homenagem à este que com toda paciência do mundo colaborou imensamente para a consumação do ato de compra.

Pessoa calma, informada e paciente....muito paciente.
No calor do cão, em pleno fds, num carro ainda sem ar-condicionado, pulando de loja em loja, perguntando tudo e mais um pouco para ajudar na avaliação do negócio que nem dele era.

Pessoa fofa, encantada, anjinho de luz ...que ainda levou o carro velho para uma tal de vistoria, comprou um tal de estepe que fora roubado e por isso estopim na decisão de troca do automóvel e acordou bem mais cedo para levar a trabalhadora até o local da labuta diária.

Moço fofo, carro novo, um charme irresistível e nem um puto no banco.
Ai, ai....ser RICA tem dessas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ahhhhhh... Só tenho uma coisa a dizer: parabéns pela nova aquisição!
Que bom ter esse alguém do seu lado! Você merece tanto!!!
Agora relaxa: logo mais você junta dinheiro de novo, logo mais você realiza todos os seus sonhos, vai começando com um de cada vez, um passo após o outro...
Um carrinho novo sempre dá um gás novo! parabéns!!!