terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ser ou não ser você mesma?

Já fui chamada várias vezes de estranha, louca sob olhares reprovadores e assustados.
Sempre retruquei que era espontaneidade, meu jeito ser, livre de alguns conceitos da sociedade, apesar de sempre ter andado na linha com as pessoas e com a lei.
Então, qual é a idéia do “ser estranho”, em ser eu mesma?
Cheguei à conclusão de que as pessoas realmente se sentem incomodadas com a felicidade alheia, com o poder que alguns de nós temos de encontrar a felicidade em uma gargalhada estridente, ou em um copo quebrado. Sorrir simplesmente em cantar uma música ou se sentir bem andando meio na contramão das coisas.
Derrubei meu copo de cerveja, paciência. Ou to bêbada ou to vesga! E daí? Não posso rir em ser desastrada? Não posso me sentir a vontade com uma roupa diferente ou com o cabelo despenteado? Não posso ser feliz simplesmente da forma que sou? Criança feliz? A gente tem que parar de querer crescer. Crescer é chato!
Uma música nos alegra e a gente tem vontade de cantá-la, seja em um show, seja na padaria. Essa facilidade de enxergar as coisas boas em pequenos momentos do cotidiano, nas nossas desventuras ou durante o domingo à tarde, com um balde de pipoca no colo, é que faz a diferença. Assim encontramos nossos talentos, aptidões, o que nos agrada e o que realmente nos tira do sério.
Sim, eu falo sozinha no banheiro e no carro, mas foi falando sozinha que descobri que eu realmente poderia cantar. E ainda mais, foi cantando em um boteco ou outro, ao lembrar-se de algum momento, que resolvi cantar (vou colocar em prática esse ano, é uma promessa que fiz a mim mesma).
Será isso o que incomoda as pessoas? Não se descobrir nessas horas, e ficar pensando demais nos demais?
Veja Elis Regina, uma louca varrida sim, que levou a vida da forma que achou melhor. Depressiva ou não, boa mãe ou não, o que nos restou dela foi sua obra. Um monstro que não será esquecido tão cedo. O que ela fez de bom pra gente, nós conhecemos, mas do que ela mais tirava proveito? Era o que ela sentia quando estava nos palcos, mostrando tudo o que sabia fazer, de um jeito particularmente seu, tornando-se referência pra todas as cantoras nacionais de hoje. E o legal disso é a gente perceber que ela se divertia.
É isso! A mensagem é essa! Cuida da sua vida e descubra na sua rotina, no seu dia a dia, o que você faz que te diverte, que pode prosperar. A gente se encontra e se desencontra, e é tão confuso. A graça tá aí, porque se fosse muito fácil se achar, seria chato demais, e não riríamos de nós mesmas.
Agora, se você não sabe o que fazer pra se divertir, o que realmente é importante pra ser feliz, sorry! Tá na hora de começar a correr atrás dos seus sonhos!
Fico com Elis na cabeça, no coração e uma vontade enorme de tomar um sorvete nesse dia quente.
P.S.: Fica calma que o mau humor existe, ninguém é de ferro e a vida não é bolinho, mas temos que aprender a separar as coisas.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

E eu comprei um carro!

Seguindo o movimento de registro das nossas vidinhas, incluindo as evoluções filosóficas, amadurecimentos afetivos e acontecimentos marcantes que nossas mães teriam orgulho de conhecer....cá estou para tecer mais um rendado de fatos.

A vida não é bolinho para ninguém, o meu dinheiro não dá em árvore, papai é rico mas eu não, e ainda assim: eu comprei um carro.

Se eu to feliz?
Sei lá, viu? Rapei todo dinheiro da minha vida para quitar tudo à vista.
Por conta disso, assinei o contrato de compra e meia hora depois estava aos prantos sem saber bem por quê.

Para mim, pior que andar a pé é ter parcelas para pagar.
Parcela significa que o dinheiro que eu suei para ganhar naquele mês não é exatamente meu. Um dinheiro que não vem com o meu nome, mesmo sendo fruto da minha entrega maluca.

Na verdade o caos dessa cidade me obrigou a trocar de carro. E aproveito para dizer: Não comprem um Gol. Never! A não ser que pretenda ir morar no interior...
Vende rápido, todo mundo quer, inteiro ou em pedaços e é aí que mora o pepino.
Ter um Gol é carregar um pepino para cima e para baixo.

Rapando a poupança, abri mão de uma zona de conforto que só mesmo o dinheiro é capaz de proporcionar. Agora não posso mais mandar o chefe à merda, não posso querer passar 3 meses viajando pelo Nordeste, não posso dar entrada numa casinha no interior mais próximo ou longínquo.

Isso me tirou a fimeza de baixo dos pés e agora me sinto refém do carro novo.
Ainda não chegou e por isso eu não senti ainda a leveza da direção hidáulica, o ventinho fresco do ar-condicionado sacudindo o cabelo, o batidão grave do som novinho e o conforto/ segurança de andar com os vidros fechados.
Assim, tenho só o residual negativo neste momento. É por isso que eu choro.

Hoje de manhã senti vontade de chorar de novo, mas dessa vez foi a idéia de achar a minha vida muito chata que me purgou as lágrimas. Uma sucessão de acontecimentos. Foi sair da caminha gostosa, com direito a cobertor de orelha, ver o café da manhã preparado e não poder curti-lo por falta de tempo, me lançar ao trânsito da volta às aulas, alguns dias para o período menstrual e pronto! Buá...quero chorar.

E agora? E se eu quiser ir embora daqui?
Não posso! Não agora. Tenho uma dívida enorme com a minha poupança que não pode viver oca. Então, silêncio, ombros para trás e vamos à luta.

Tenho hoje aquela sensação de que a vida dá com uma mão e tira com a outra.
Tenho um carro lindinho, completo e não tenho um puto no banco.
Pobre e de carro novo....dá para entender?

Voltando ao cobertor de orelha antes citado, devo aqui prestar minha sincera e pública homenagem à este que com toda paciência do mundo colaborou imensamente para a consumação do ato de compra.

Pessoa calma, informada e paciente....muito paciente.
No calor do cão, em pleno fds, num carro ainda sem ar-condicionado, pulando de loja em loja, perguntando tudo e mais um pouco para ajudar na avaliação do negócio que nem dele era.

Pessoa fofa, encantada, anjinho de luz ...que ainda levou o carro velho para uma tal de vistoria, comprou um tal de estepe que fora roubado e por isso estopim na decisão de troca do automóvel e acordou bem mais cedo para levar a trabalhadora até o local da labuta diária.

Moço fofo, carro novo, um charme irresistível e nem um puto no banco.
Ai, ai....ser RICA tem dessas.

O que tem de bom no dia?

- Bom dia!
- Não sei o que você viu de bom nele! - respondo com rápida rispidez e cara de cú.
Não, o dia não começou nada bem! Nada bem mesmo, porque além de ser segunda-feira, só consegui dormir às 6h00 da manhã. Sabe quando a cabeça começa a funcionar e você não quer ter o menor esforço mental? Ainda fiz tudo pra que isso não acontecesse: assiti umas duas horas seguidas de Friends, uma hora de Simpsons, na falta de calmante e bolinhas ansiolíticas, tomei dois Dorflex - dizem que faz milagre no quesito apagar peão, cortei as unhas dos pés, chá de camomila. Nada deu certo. Fracassei na arte de dormir muito esta noite.
Às 7h00 quando o celular despertou, eu o arremessei pra longe. Ok, fui acordar mesmo 8h00, meio atrasada.
Um trânsito que as aulas colocam de volta nas ruas, um calor de embaçar a lente dos óculos, motoristas burros e policiais em cada esquina, prontos a dar qualquer canetada, mas tenho certeza que posso ser assaltada em algum semáforo no caminho do trabalho.
É isso! Nem vou continuar porque não quero deprimir ninguém... nem a mim mesma, vendo-me escrever desta forma cinzenta!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Os homens da minha vida



Eu não tenho namorado. Namorado pra quê?
O que importa é ter vários homens na sua vida. Quer ver?
Tenho meu pai: pau pra toda obra, colo, carinho e é ótimo em resolver pepinos no carro e em casa.
Meu irmão: quando não posso voltar dirigindo, ele vai me buscar.
Danilo: meu super assistente, master, que aprendeu rapidinho e tira uns jobs da minha frente, fazendo com que eu possa escrever este texto que você lê agora, bem no meio do expediente.
Regis: amigo rico, bonito e burro. Esse serve pra várias coisas, só não dá pra conversar muito.
Bob: o executivo comercial de uma grande rede de comunicação do Brasil, que arranja vários ingressos pra espetáculos legais.
Demian: namorado da amiga que faz um peixe como ninguém nos churrasco.
Vancerlei: o cara do estacionamento que ajuda a carregar pacotes, abre a porta e desentope um o buraco de vasão d aporta do carro.
Danton: frentista que toda vez coloca água no meu carro sem pedir e troca o óleo.
Norton: dono de pousada na Bahia.
Rafa: amigo da amiga que toca violão.
Peão de obra: que levanta a moral.
Brad Pitt: pra povoar meus sonhos.
Namorado pra quê?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Tomando umas pra relaxar

Toda poderosa só porque estou com dois quilos a menos, resolvi abrir mão da dieta e sair pra beber com os amigos.
Claro, é sempre ótimo e difícil de parar. A última dose a gente nunca lembra.
Linda e maravilhosa, poderosa e conquistadora como toda mega mulher solteira, moderna e independente deve ser, saí pra casa da amiga, acompanha de mais duas delas.
Gente bacana, beira da piscina, acepipes deliciosos e a cerveja sempre maravilhosa.
Tome uma, tome duas, tome três. Os rapazes começam a se aproximar. Tome quatro, tome cinco, tome seis. Todos começam a rir de você. Tome sete, tome oito, tome nove. Você se recorda do ex. Tome dez, tome onze, tome doze. Os rapazes começam a se afastar. Tome treze, tome quatorze, tome quinze. Você começa a chorar e apertar muito forte a mão da amiga linda que veio te consolar. Tome dezesseis, tome dezessete, tome vinte. Você tá tacando comida do namorado da outra amiga. Tome vinte e um, tome vinte e dois, tome vinte e três. Tão te levando pra casa.
Dia do dia seguinte: tome um litro d'água e verifique o saldo: vergonha moral, cama vazia e dor de cabeça inigualável!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Sim, ponto final.

Chegou o momento do ponto final.
Tirei todas as minhas coisas que estavam visísveis e à mão da casa dele. Claro, algumas coisas a gente esquece, outras se perdem e outras só Freud explica. Deixei as chaves cuidadosamente em cima do balcão da cozinha.
Há meia hora atrás recebo uma sacola gigante toda grampeada aqui, na mesa do escritório.
Dentro dela uma parte de cima de biquini, um cereal integral, uma calcinha, dois roupões, uma cartela de Neosaldinha com um comprimido ainda e uma bata. Tinha também um bilhete grampeado na parte de cima do meu biquinhi, super sutil, com letra garrancho: não encontrei a parte de baixo do biquini, tomei o chá verde e se tiver faltando alguma coisa dou um jeito de te entregar depois.
Uma semana sem se falar, sem comunicação, nenhum sinal de fumaça e um pacotão apressado em cima da minha mesa.
Todos da sala olhando pra mim com uma cara de óoooohhhhh e eu querendo comer o roupão de seda que ganhei neste Natal. Aliás, um roupão que eu odeio, pois marca todos os sinais defeituosos que cultivei no meu corpinho!
Por quê meu Deus do céu! Eu não consigo ter uma relação sensata, madura e consistente!
Sofrimento? Nisso nem vamos falar, pois acho que virou um assunto batido.
Agora é ponto final. Cabeceio a bola no último minuto da prorrogação e ela bate na trave.
É hora de encerrar a partida, tirar o time de campo, correr pro vestiário, pendurar as chuteiras, vestir o roupão de seda e ponto final.

SE DEUS É BOM, PORQUE INVENTOU O LIVRE-ARBÍTRIO?

Não me entendam mal, sei que o livre-arbítrio é uma coisa boa, pelo menos na teoria. Mas as vezes é tão difícil escolher…. Pensa comigo: não seria muito mais fácil se a gente deixasse nossa nuvem fofíssima do céu com tudo pré-determinado? Imagina:

- Minha filha, você vai para a Terra ser diplomata da ONU, trabalhar em missões na África. Lá vai conhecer o Brad Pitt, um homem muito bom. Vocês se apaixonarão, trabalharão juntos pelo bem da humanidade, terão muitos filhos e serão muito felizes.

Ou então, para os milionários egoístas:

- Meu filho, você vai para a Terra aprender a dar valor ao dinheiro. Por isso terá fortuna, mas perderá tudo. Então viverá como mendigo, perambulando de abrigo em abrigo. Mesmo assim terás saúde, sua missão será breve e alguns momentos de alegria lhe trarão de volta.

Não seria muito mais fácil? Sim seria, você não pode descordar. Alguns místicos afirmam que está tudo escrito, algumas vovós dizem: o que tiver que ser será. Ou ainda, Deus sabe o que faz. Na boa, não sabe não. Se soubesse tirava o tal livre-arbítrio de nós, reles humanos, que na maioria das vezes escolhemos tudo errado.

Porque o povo Americano escolheu o Bush? Porque o Bush escolheu a guerra? Tá vendo, tudo errado. Nós somos burros demais. Não usamos nem 10% do nosso poderoso cérebro. Argh! Santa estupidez.

O pior é que nem precisamos ir tão longe. Sabe quando bate aquela dúvida: Hum, que caminho que eu pego? Vou por aqui. Trânsito. Ai acho que vou aceitar o convite dele…. Pouco tempo depois… você descobre o canalha… Devo mudar de emprego? Sim, devo. Vou ganhar mais e tal. Em 3 meses você quer entrar na empresa com uma metralhadora e matar todo mundo. E por aí vai….

Numa boa. Acredito em Deus, sou uma pessoa de fé. Acredito em anjo da guarda, santos, patuá, macumba, reza brava e tudo mais. Só queria saber porque é tão complicado escolher. Se eu tivesse a chance de fazer uma pergunta acho que seria essa: Porque parece que a gente escolhe tudo errado? Oh my God!

Graças a essas dúvidas todas eu parei de pedir coisas em minhas orações. Já que tá tudo na mão de Deus, eu só peço pra acontecer o melhor pra mim e para as pessoas que eu amo. Peço paz, amor e alegria de viver. Ele que se vire. Quem mandou criar esse mundo. Acho que é isso. Que pedir mais alguma coisa? Sunday acompanha?