domingo, 17 de janeiro de 2010

Relembrar é viver

Domingão, sozinha em casa, cabeça vazia morada do Diabo, internet funcionando lindamente e um pote de Häagen-Dazs de macadâmia (meu favorito) para me dar o prazer que a semana cheia de dieta e academia não me dá (afinal, ser magra e torneada tem preço para quem descobriu uma genética que não é tão legal como pensava).
Bom, tudo isto para dizer que achei alguns textos meus de surtos amorosos que fiz há um bom tempo. S-U-R-T-O-S!!! Me achava a Quintana dos meus tempos alcóolicos.
Queria compartilhar com vocês. Quem quer? Tentem adivinhar os protagonistas.
Quem nao quiser pode parar por aqui.


Tiê

Todas as noites antes de dormir
Minha cabeça é povoada de lembranças
Tão poucas, escassas, tão boas
Que ainda sinto seu cheiro
Seu corpo molhado e salgado
A pimenta ardendo na língua
E a cachaça queimando a garganta
As pernas a se enroscarem
O sorriso bonito estampado no rosto
E a tristeza ao dizer adeus
O porque eu não sei
Só sei que ficou um vazio
Um espaço a ser preenchido
Com sua cuíca e violão
E a sua voz a soprar no meu ouvido
Indo embora como aquele tiê sangue
Que por um momento coloriu o meu olhar

Cair

Quando eu me entregar vou querer teus braços pra me sustentar e tirar de mim aquele vazio que mora aqui.
Cair nos teus braços será meu conforto, meu porto, meu delírio. Não me deixe cair como um copo vazio. Meu casco é fino e pode se quebrar. Quebrado não há concerto e será só o fim de um fim posto em mim.
Estou aqui de peito aberto, coração latente, cheia de desejo. Quando eu me jogar me pega pela cintura, tira minha blusa e encosta tua pele no meu peito.
Não me deixa cair. Me segura firme, nem que seja pelos cabelos. Fala no meu ouvido aquelas besteiras que eu adoro. Coloca na minha cabeça que já não preciso ser mais sozinha. Assim eu me enrosco nos teus pêlos, dobro os meus joelhos e te dou o melhor de mim.

Tempo

Desce esse tempo em cima de mim. Faz crescer as memórias que ainda andam vivas nos cantos dos quartos e das salas por onde ando. Deixa o fantasma da lembrança me assombrar, vindo-me visitar aqueles que não me amaram um dia junto com aqueles que me amaram demais.Faz vazar dos meus olhos as lágrimas temperadas de desassossego que caem sem serem evocadas e bebe de mim o desespero de quem se perde mais uma vez. Da voz só faço ecoar os gritos e lamentos que sempre mal disse com gemidos e sussurros de gozos de noites e madrugadas e tardes de lasciva euforia por aqueles que me tocavam.Que venha esse tempo que faz curar, apagando as idéias lúcidas e fazendo escorrer o ciúme entre os lábios temperados com cachaça. Que tome esse néctar da minha boca que entorpece e embriaga, mas não apaga as idas e vindas que faço em todas as histórias do mundo, todas aquelas que um dia vivi ou ouvi e peguei sem perceber pra mim.Abre esse livro e sem miséria leia todas as linhas. Conta essas anedotas pra quem puder, porque a felicidade existe no que se viveu, mas a tristeza é a certeza de que ninguém sai ileso e se machuca por sempre buscar as respostas no passado, vivendo atrás do presente.Quem sabe assim eu possa me conformar e me sentir mais leve, compartilhando com alguém meu dias solitários.Talvez desta maneira partiremos em busca da verdadeira liberdade.

Chega! Já me diverti o suficiente por hoje!
Agora vou escutar Norah Jones, pois baixei váááárias músicas legais!

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