Lembro no reveillon, nós naquele lugar encantado, tempo agradável. Na virada, à meia noite, você parafraseou algum autor famoso, do qual não me lembrarei nunca: "que a gente possa fugir de tudo, menos de nós mesmo".
Depois de tudo o que passamos ainda existia um amor difícil de explicar. Você admirava minha força, minha personalidade, meus desafios; eu admirava seu talento, seu bom humor, o jeito que fazia para nos entendermos. Naquele momento, pela primeira vez, apagamos a luz para todos os nossos problemas, desavenças, brigas e agressões. Éramos então nós dois, no meio de estranhos, com o plano futuro de fazer dar certo, mais uma vez.
Pouco tempo depois vimos o restante da flor aberta murchar, e alguma coisa importante se quebrou naquele momento. Pela primeira vez eu o olhei como um passado distante, o erro em que, durante três anos, trabalhei para não acontecer.
Hoje sei que passou e parte disto foi lindo, mas não quero mais nada, nenhuma reprise, nada de nós dois; renego até as lembranças que teimam em aparecer durante a hora mais escura da noite.
O plano era dar certo, só que a única coisa que conseguimos fazer direito é fugir de nós mesmo, causando muita dor.
sexta-feira, 6 de março de 2009
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