quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A Ideologia do Regime



Gostaria de compartilhar com vocês "da onde" eu tiro tanto material "bacana" para os meus textos "inspiradores":

A IDEOLOGIA DO REGIME

Os mais desavisados devem pensar que nunca houve um tempo tão democrático quanto esse. Em Brasília a esquerda tomou o poder. Na TV impera a diversidade: não há comercial que não misture um branco, um preto, um japonês e um índio no elenco. A onda do politicamente correto deu dignidade ao deficiente. Todo dia surge uma nova ONG para defender os pobres, os bichos e as plantas. A liberdade religiosa é tamanha, que até os fundaentalistas árabes e os evangélicos fluminenses são tolerados.
Enganam-se, tolinhos. Ainda resta no mundo uma classe de oprimidos: nós, os dependentes químicos de comida. Os indivíduos acima do peso são os últimos cidadãos de terceira classe. Os novos párias da sociedade. Se você examinar nossa situação vai ver que não temos bancada no Congresso. Não somos representados nem em comerciais de margarina. As ONGs não nos consideram parte do ecossistema. Somos discriminados até pelos deficientes. E nossa religião, a gula, é vista como um pecado mortal por todas as outras.
Na moda, vale tudo: ser feio, ser esquisito, ser desengonçado. Só não vale aparentar uns quilinhos a mais. As roupas estão cada vez mais amorfas, mas seus ocupantes precisam estar definidíssimos. O design e a arquitetura voltram a valorizar as formas arredondadas - mas em seres humanos elas só são permitidas sob a forma de silicone e bomba. Relevos corporais naturais, ecológicos, acústicos e unplugged, como os nossos, estão terminantemente out.
Se, por um lado, o sistema nos oprime, por outro, não fazemos nada para impor nossos direitos. Nós, os dependentes quimicos de comida, formamos a minoria mais desorganizada que existe. Tanto assim, que não conseguimos sequer que fosse criado um trmo politicamente correto para a categoria. Quando você não quer chamar alguém de, sei lá, companheiro de classe, que palavra você usa? "Gordinho"? Parece eufemismo, mas, na verdade, é um insulto. Experimente dar uma volta pelas outras minorias chamando as pessoas de "ceguinho", 'surdinho" e "veadinho" para ver o que acontece.
Companheiros e companheiras: isso não pode continuar. Se queremos deixr de ser oprimidos pelo regime que está aí, temos que acabar com as divisões internas que fazem com que continuemos até hoje na clandestinidade. Precisamos de visibilidade. Vamos seguir o exemplo dos gays e lésbicas, e sair do armário - e também da dispensa, da geladeira, do freezer e das lojas de conveniência. Vamos demonstrar que a dependência química de comida é, sim, uma causa de esquerda. Pense bem: o presidente Lula é um dos nossos! Vamos fazer grupos de pressão para que as estatais não financiem filmes que contribuam para discriminar os dependentes químicos de comida. Vamos fazer um abaixo-assinado nacional para elevar a alíquota do imposto desse inimigo da sociedade, o Magro-de-Ruim. Vamos promover paradas e passeatas para mostrar à população que não somos uma minoria: todo mundo que precise perder meio quilinho pode aderir à nossa causa. Engrosse nosso coro: Hei!Hei!Hei! Tu é dependente químico de comida que eu sei!

Essa pérola foi escrita pelo Ricardo Freire - por sinal publicitário - que escreveu o livro " O Efeito Sanfona - confissões de um dependente químico de comida.

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