quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Conversa de Casal em Boteco - I

Por Matilde

Ele: - Você nunca saiu pra dar?
Eu: - Já.
- Mas assim, tipo, sem compromisso, se arruma toda e sai pra dar, pra pegar um carinha durante a noite.
- Não.
- Mentira.
- Se sabe, porque perguntou?
- Pra ver se você era sincera, mas você não é.
- Olha, eu já saí pra encontrar alguém e como via de regra, dar na seqüência, mas sair assim, louca e desgovernada pra dar pra qualquer por uma decisão, não, nunca.
- Verdade?
- Sério!
- Toda vez que eu te encontrava, antes da gente ficar juntos, eu sempre achei que você saía procurando alguém pra dar.
- Com sua mãe...
- Não, sério. Você toda "dada", vaporosa, maquiada, bêbada, gritante, dançante... Tão "ante"...
- Não confunda diversão com libertinagem. As duas podem andar juntas, como também não podem. No meu caso, eu saía pra espantar os demônios...
- Mas os caras que você saía mais pareciam demônios...
- Como assim?
- Ué? Presenciei alguns... Erámos amigos, você não me dava bola... Eu observava.
- Cala a boca! Você não era o melhor de todos. Nem chega perto também.
- Ah, só tô dizendo que você não tinha critérios antes de mim...
- Critérios??? Olha, eu ainda devo não ter critérios... E você, que já pegou aquela peluda, que tem pizza debaixo do braço, aquele cabelo cheirando a guarda-roupas embolorado? Ela é critério? A nega é o Ó... E se acha. Aposto que tem bafo!
- Ah! Mas foram só uns beijinhos...
- Foi onde nós devíamos ter ficado, desde o começo.
- Ah vai! Diz que me ama, diz?
- Você me irrita!!!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Parmeggiana

Por Matilde

Hoje eu me peguei em uma cena ridícula: dava pulinhos e berrava no meio da sala onde trabalho. Um xilique qualquer por mais um motivo imbecil qualquer dos estresses cotidianos do meu ganha pão.
O pior de tudo é que todos os prazeres da gula adquiridos em um agradável almoço de sexta-feira pularam comigo.
Conclusão: além de prestar o papel de ridícula no meio de todos os companheiros de jornada, quase gorfei no carpete.
Onde eu quero chegar com essa história? Que se eu continuar assim, não terei vida longa, pelo contrário, minha passagem nesse plano será breve! Nada vale a pena nessa vida!
Eu fico aqui, nos meus surtos insanos, acrobáticos e caóticos enquanto outro alguém aproveita a vida por mim...
Tudo vai continuar... e eu queria ser o parmeggiana do meu almoço, que tem a vida mais longa de uma refeição que eu conheço. 20h00 e ele ainda não digeriu...